A história das gêmeas siamesas Valentina e Heloá ganhou destaque após a família sair de São Paulo em busca de atendimento especializado em Goiânia. Em maio de 2020, reportagem exibida pelo JA 2ª Edição, da TV Anhanguera/Globo, mostrou que a família veio à capital goiana para uma consulta sobre a possibilidade de cirurgia de separação das meninas.
O caso chamou atenção pela complexidade e pela esperança da mãe, que buscava uma avaliação médica capaz de indicar os próximos passos para o tratamento das filhas. A consulta em Goiânia representava uma nova etapa na trajetória da família, que via na medicina especializada uma chance de oferecer mais qualidade de vida às crianças.
A capital goiana já é reconhecida pelo atendimento a casos raros de gêmeos siameses, especialmente pela atuação do cirurgião pediátrico Dr. Zacharias Calil. O médico é referência nacional nesse tipo de procedimento e acompanhou o caso das irmãs ao longo dos anos.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, Valentina e Heloá nasceram em Guararema, no interior de São Paulo, e a família acabou se mudando para Morrinhos, no sul de Goiás, para ficar mais próxima da equipe médica e facilitar a realização de consultas, exames e etapas preparatórias para a cirurgia em Goiânia.
Casos de gêmeos siameses exigem planejamento detalhado. Antes de uma possível separação, os médicos precisam avaliar quais órgãos, tecidos e estruturas são compartilhados, além de analisar o estado geral de saúde das crianças.
No caso das irmãs, a Secretaria de Saúde informou que o tratamento envolveu várias etapas. Entre elas, esteve a colocação de expansores, usados para estimular o crescimento da pele e preparar o corpo das crianças para a cirurgia.
Esse tipo de preparação mostra que uma cirurgia de separação não começa apenas no centro cirúrgico. Ela depende de acompanhamento contínuo, exames, reuniões médicas e suporte de uma equipe multidisciplinar.
Após anos de acompanhamento, Valentina e Heloá passaram pela cirurgia de separação em janeiro de 2023, no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, o Hecad, em Goiânia. Segundo a Secretaria de Saúde, a operação durou mais de 15 horas e envolveu a separação de estruturas como fígado, intestino, sistema urinário, bexiga e parte óssea, além da reconstrução de abdômen, pele e genitália.
O procedimento foi considerado de alta complexidade e marcou um momento importante para a medicina goiana. A própria Secretaria informou que esse foi o 22º procedimento de separação de siameses realizado pelo Dr. Zacharias Calil.
Em março de 2023, as gêmeas receberam alta hospitalar 51 dias após a cirurgia. A Secretaria de Saúde informou que o caso mobilizou mais de 200 profissionais e que as meninas continuariam com acompanhamento especializado no Hecad após deixarem o hospital.
A alta representou um momento de alívio para a família, que acompanhou uma longa jornada desde as primeiras consultas até o pós-operatório. Mesmo fora do hospital, as irmãs seguiram em avaliação médica e com retornos periódicos para curativos e acompanhamento da recuperação.
A ida da mãe a Goiânia em busca de ajuda médica marcou o início de uma trajetória de esperança. O caso de Valentina e Heloá mostra a importância da medicina de alta complexidade, do Sistema Único de Saúde e de equipes preparadas para lidar com situações raras.
Mais do que uma notícia sobre cirurgia, a história das irmãs revela a força de uma família que buscou alternativas, confiou na equipe médica e acompanhou cada etapa de um tratamento delicado.
A frase de esperança que marcou a busca da mãe — “vamos vencer” — resume o sentimento de muitas famílias que enfrentam diagnósticos difíceis: medo, incerteza, fé e a esperança de encontrar, na medicina, uma possibilidade de recomeço.