
A atuação do cirurgião pediátrico Dr. Zacharias Calil tem colocado Goiás em destaque nacional no atendimento a gêmeos siameses. Ao longo dos anos, o médico se tornou uma das principais referências do país em cirurgias de separação e no acompanhamento de crianças com condições raras, que exigem planejamento, tecnologia, equipe multidisciplinar e decisões clínicas extremamente cuidadosas.
Casos recentes como os de Lara e Larissa, Kiraz e Aruna e Marcos e Matheus mostram que a atuação médica vai muito além do centro cirúrgico. Envolve diagnóstico, estabilização, acompanhamento prolongado, preparação familiar, suporte emocional e avaliação constante dos riscos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, a rede pública estadual já soma 22 procedimentos de separação de gêmeos siameses, realizados no antigo Hospital Materno Infantil, atual Hemu, e no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, o Hecad. Esses procedimentos são associados à atuação do Dr. Zacharias Calil, apontado pela própria secretaria como referência nacional na área.
Atender gêmeos siameses é um dos maiores desafios da cirurgia pediátrica. Cada caso possui uma anatomia única. Algumas crianças compartilham órgãos, ossos, estruturas vasculares ou partes importantes dos sistemas digestivo, urinário e reprodutivo. Por isso, a separação nem sempre pode ser feita imediatamente — e, em alguns casos, pode sequer ser possível naquele momento.
É nesse cenário que a experiência do médico se torna fundamental. O cirurgião precisa entender o quadro clínico, estudar exames, prever complicações, definir etapas e, principalmente, saber quando operar e quando aguardar.
A atuação do Dr. Zacharias Calil se destaca justamente por essa combinação entre técnica cirúrgica, planejamento e sensibilidade humana. Em casos tão raros, a decisão médica não se resume a realizar uma cirurgia. Muitas vezes, o cuidado está em preparar o organismo das crianças, garantir estabilidade clínica e oferecer à família a melhor orientação possível.
O caso das gêmeas Lara e Larissa foi considerado um dos mais complexos acompanhados pela equipe médica. Elas nasceram em Goiânia, no Hospital Estadual da Mulher Dr. Jurandir do Nascimento, o Hemu, e depois foram transferidas para o Hecad, onde permaneceram internadas por cerca de nove meses antes de receberem alta hospitalar.
As irmãs eram unidas pelo tórax e abdômen e compartilhavam estruturas dos sistemas digestivo, reprodutivo e urinário. Segundo informações da Secretaria de Saúde de Goiás, a cirurgia de separação ainda não tinha previsão naquele momento, justamente pela complexidade do caso e pela necessidade de acompanhamento contínuo.
Esse caso mostra uma parte importante da atuação médica: nem sempre o melhor caminho é a intervenção imediata. Em situações assim, o médico e a equipe precisam estabilizar o quadro, acompanhar o crescimento, orientar a família e preparar as condições clínicas para uma possível etapa futura.
A alta hospitalar de Lara e Larissa, após meses de internação, também reforçou a importância do trabalho multidisciplinar. A mãe das meninas recebeu orientações das equipes do Hecad para continuar os cuidados em casa, demonstrando que o tratamento não se limita ao hospital: ele também envolve educação, acolhimento e suporte à família.
Outro caso que chamou atenção nacional foi o das gêmeas Kiraz e Aruna, naturais do interior de São Paulo. Elas foram acompanhadas desde os primeiros meses de vida pelo Dr. Zacharias Calil no Hecad, em Goiânia. De acordo com o Governo de Goiás, as meninas eram classificadas como siamesas esquiópagas triplas, unidas pelo osso ísquio, com três pernas e múltiplos órgãos compartilhados.
Antes da cirurgia de separação, houve mais de um ano de planejamento clínico e cirúrgico. Uma etapa importante foi a colocação de expansores de pele, realizada em outubro de 2024, para estimular o crescimento de tecido suficiente para o fechamento das áreas após a separação.
Esse tipo de preparação revela a complexidade do trabalho médico. A cirurgia de separação não começa no dia do procedimento. Ela começa meses antes, com exames, consultas, controle de crescimento, avaliação da imunidade, planejamento da equipe e estudo detalhado das estruturas compartilhadas.
A cirurgia de Kiraz e Aruna foi planejada para envolver diversas especialidades, incluindo cirurgia pediátrica, cirurgia plástica, urologia pediátrica, ortopedia pediátrica, cirurgia vascular, cirurgia do aparelho digestivo e anestesiologia. Ao todo, a previsão era de mais de 20 profissionais atuando diretamente no centro cirúrgico, além de outros profissionais no suporte externo.
Mesmo com todo o planejamento, o caso teve um desfecho doloroso. Kiraz faleceu dias após a cirurgia de separação, e Aruna morreu na véspera de Natal de 2025, após meses de acompanhamento no Hecad.
Esse resultado evidencia uma realidade difícil da medicina de alta complexidade: nem sempre o esforço técnico e humano consegue vencer os limites clínicos de um caso extremamente raro. Ainda assim, a atuação médica permanece essencial, porque representa a tentativa responsável de oferecer a melhor chance possível às crianças.
Em janeiro de 2026, outro caso mobilizou a equipe médica em Goiânia. Os gêmeos siameses Marcos e Matheus, de Mato Grosso, nasceram no Hemu e, apenas 24 horas depois, passaram por cirurgia de colostomia e vesicostomia. O procedimento foi realizado pelo Dr. Zacharias Calil como parte do plano terapêutico para oferecer melhores condições clínicas aos recém-nascidos.
Os bebês nasceram conectados pelo quadril e foram classificados como isquiópagos. Após o nascimento, permaneceram internados em UTI neonatal, recebendo cuidados especializados e monitoramento contínuo.
Pouco depois, o quadro evoluiu para uma situação emergencial. A cirurgia de separação precisou ser antecipada, mas os dois bebês não resistiram às complicações.
Esse caso mostra outra dimensão da atuação médica: a capacidade de tomar decisões rápidas em cenários críticos. Quando o quadro clínico muda de forma repentina, a equipe precisa agir com urgência, avaliar possibilidades e tentar preservar vidas mesmo diante de riscos muito elevados.
Embora o nome do Dr. Zacharias Calil ganhe destaque, casos como esses só são possíveis com a atuação de uma grande equipe. Cirurgiões, anestesistas, intensivistas, pediatras, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais participam de diferentes etapas do cuidado.
No Hemu e no Hecad, o atendimento a esses casos envolve estrutura hospitalar, UTI, exames, suporte familiar e acompanhamento contínuo. A própria Secretaria de Saúde de Goiás destaca o cuidado integral e humanizado oferecido pelas equipes, incluindo enfermagem, fisioterapia, serviço social e psicologia.
Essa rede de profissionais é indispensável porque os casos de gêmeos siameses não envolvem apenas uma cirurgia. Eles exigem meses de preparação, monitoramento constante e suporte antes, durante e depois de qualquer procedimento.
A atuação do Dr. Zacharias Calil nesses casos revela três pilares fundamentais da medicina de alta complexidade: técnica, coragem e humanidade.
A técnica aparece no domínio cirúrgico, no planejamento anatômico e na condução de procedimentos raros. A coragem está presente nas decisões difíceis, especialmente quando a vida das crianças depende de uma intervenção arriscada. Já a humanidade se manifesta no cuidado com as famílias, na comunicação dos riscos e no respeito diante de histórias marcadas por esperança, medo e dor.
Em casos como os de Lara e Larissa, Kiraz e Aruna, e Marcos e Matheus, a medicina não deve ser analisada apenas pelo resultado final. Ela também precisa ser compreendida pelo esforço de cuidado, pela busca de alternativas e pela dedicação de profissionais que lidam diariamente com situações extremamente delicadas.
A experiência acumulada por Goiás no atendimento a gêmeos siameses mostra a importância de centros especializados no Sistema Único de Saúde. O Hemu e o Hecad se tornaram unidades importantes para esse tipo de atendimento, recebendo famílias de outros estados em busca de estrutura e conhecimento técnico.
A trajetória do Dr. Zacharias Calil se mistura a esse avanço. Sua atuação ajudou a consolidar Goiás como referência nacional em um campo da medicina que exige preparo raro, alta especialização e compromisso com a vida.
A história do Dr. Zacharias Calil no atendimento a gêmeos siameses é marcada por desafios extremos. Em cada caso, há uma combinação de ciência, planejamento, tecnologia, equipe e sensibilidade.
Lara e Larissa mostraram a importância do acompanhamento prolongado. Kiraz e Aruna evidenciaram a complexidade de uma separação planejada por meses. Marcos e Matheus revelaram a urgência de decisões médicas em situações críticas.
Essas histórias, mesmo quando terminam de forma dolorosa, reforçam o papel essencial da medicina de alta complexidade: oferecer cuidado, buscar possibilidades e agir com responsabilidade diante de casos em que cada decisão pode fazer diferença.