
A atuação do cirurgião pediátrico Dr. Zacharias Calil tem colocado Goiás em evidência nacional quando o assunto é o atendimento a gêmeos siameses. Com mais de 25 anos de experiência nesse tipo de procedimento, o médico é apontado pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás como referência nacional em separações de alta complexidade.
Casos como os das irmãs Kiraz e Aruna, de São Paulo, e dos gêmeos Marcos e Matheus, de Mato Grosso, mostram a complexidade técnica, humana e ética envolvida nesse tipo de atendimento. Mais do que uma cirurgia, a separação de siameses exige meses — e, em alguns casos, mais de um ano — de planejamento, exames, acompanhamento clínico e preparação familiar.
Kiraz e Aruna, naturais do interior de São Paulo, foram acompanhadas desde os primeiros meses de vida pelo Dr. Zacharias Calil no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente, o Hecad, em Goiânia. Segundo a Secretaria da Saúde de Goiás, elas eram classificadas como siamesas do tipo esquiópagas triplas, unidas pela região da bacia e com múltiplas estruturas compartilhadas.
Antes da separação, as meninas passaram por uma etapa importante: a implantação de expansores de pele. Esses dispositivos funcionam como uma preparação para que, no momento da cirurgia, houvesse tecido suficiente para o fechamento adequado das áreas operadas. Essa fase foi realizada em outubro de 2024 e considerada uma etapa fundamental no planejamento da separação.
Esse cuidado mostra que a atuação do médico vai muito além do centro cirúrgico. Em casos como esse, cada decisão precisa ser tomada com antecedência, considerando crescimento, ganho de peso, imunidade, condições clínicas e riscos específicos de cada bebê.
A separação de Kiraz e Aruna foi planejada para envolver diferentes especialidades médicas, incluindo cirurgia pediátrica, cirurgia plástica, urologia pediátrica, ortopedia pediátrica, cirurgia vascular, cirurgia do aparelho digestivo e anestesiologia. De acordo com o Governo de Goiás, mais de 20 profissionais atuariam diretamente no centro cirúrgico, além de dezenas de outros no suporte externo.
Esse tipo de estrutura reforça uma característica importante da medicina de alta complexidade: nenhum resultado depende apenas de um profissional. Ainda que o Dr. Zacharias Calil seja o nome mais lembrado, a condução desses casos exige integração entre cirurgiões, intensivistas, anestesistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e equipes de apoio.
Apesar de todo o preparo, os casos de separação de siameses continuam sendo extremamente delicados. A literatura médica citada pela Secretaria da Saúde de Goiás indica que, entre siameses operados, a sobrevivência mundial é limitada; em Goiás, o histórico divulgado aponta índice superior ao padrão citado pela própria secretaria.
No caso de Kiraz e Aruna, o desfecho foi marcado por grande comoção. Kiraz morreu dias após a cirurgia de separação, e Aruna faleceu na véspera de Natal, após complicações de saúde, conforme registros jornalísticos sobre o caso.
Esses acontecimentos demonstram que, mesmo com planejamento, tecnologia e uma equipe altamente especializada, a medicina também enfrenta limites. Em casos raros e extremamente complexos, o trabalho médico se dá em um território sensível: tentar oferecer a melhor chance possível de vida, mesmo quando o risco é muito alto.
Outro caso recente que chamou atenção foi o dos gêmeos siameses Marcos e Matheus, de Mato Grosso, nascidos em Goiânia. Eles passaram por procedimentos logo após o nascimento e foram acompanhados por equipe especializada em uma unidade de referência materno-infantil. O caso também teve participação do Dr. Zacharias Calil em decisões cirúrgicas importantes, em um cenário clínico delicado e de alto risco.
Assim como no caso de Kiraz e Aruna, a atuação médica exigiu preparo técnico, rapidez na tomada de decisões e sensibilidade no acompanhamento da família. Quando se trata de recém-nascidos em condição rara, o papel do médico não é apenas operar, mas também avaliar possibilidades, comunicar riscos e conduzir o tratamento com responsabilidade.
A atuação do Dr. Zacharias Calil evidencia três pilares essenciais da medicina de alta complexidade: experiência, tecnologia e humanidade.
No caso de Kiraz e Aruna, o planejamento contou com recursos avançados, incluindo biomodelo 3D e realidade aumentada para auxiliar a equipe médica a visualizar com mais precisão a posição dos órgãos e definir estratégias para a separação.
Entretanto, tecnologia sozinha não basta. Ela precisa estar nas mãos de profissionais preparados, com experiência acumulada e capacidade de interpretar cada detalhe clínico. Além disso, em situações que envolvem crianças e famílias fragilizadas, a medicina também precisa ser profundamente humana.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que a rede pública estadual de Goiás contabiliza 22 procedimentos de separação de gêmeos siameses, realizados em unidades como o antigo Hospital Materno Infantil, atual Hemu, e o Hecad.
Esse histórico ajuda a explicar por que famílias de outros estados buscam atendimento em Goiânia. A presença de uma equipe especializada, associada à experiência do Dr. Zacharias Calil, tornou o estado uma referência em um tipo de cirurgia que poucos centros conseguem realizar.
A atuação do Dr. Zacharias Calil nos casos de gêmeos siameses revela uma medicina que exige técnica, coragem e sensibilidade. Em histórias como as de Kiraz, Aruna, Marcos e Matheus, o médico e sua equipe enfrentaram situações raras, de alto risco e emocionalmente difíceis.
Mesmo quando o desfecho não é o esperado, a dedicação envolvida em cada etapa permanece como exemplo da importância da medicina especializada. Esses casos mostram que a atuação médica não deve ser medida apenas pelo resultado final, mas também pelo cuidado, pelo planejamento e pelo esforço de oferecer às crianças e às famílias a melhor possibilidade diante de circunstâncias extremamente complexas.